sexta-feira, 3 de maio de 2013

Para não ser arrogante



Lília Junqueira
            A arrogância é a atitude, caráter, traço, tendência ou conjunto de padrões de comportamento caracterizado pela falsa autoconcepção de superioridade em relação às demais consciências. Em outras palavras, as consciências que têm este desvio de personalidade se julgam melhores do que as outras, podendo produzir sentimento de inferioridade nas pessoas com as quais interage.
            A personalidade arrogante, em geral, se caracteriza por sentimentos de vanglória, de amor próprio exagerado, prepotência e falta de modéstia. Devido a esta condição permanente de desequilíbrio emocional na qual vive, ela nutre sentimentos negativos pelas pessoas. Não raro sente por elas orgulho desprezivo porque o sentimento de autossuperioridade leva à certeza de que todos são inferiores. Esta certeza leva ao sentimento de heteroinferioridade, ou seja, faz com que as pessoas se sintam inferiores, mesmo que elas não o sejam.
            O comportamento arrogante pode ser identificado desde a postura do soma (corpo físico) até as ações mais abstratas da consciência, tais como decisões importantes que envolvam o destino de muitas pessoas. O corpo empertigado, o olhar de desprezo, a altivez exagerada, são algumas das expressões corporais da arrogância. Devido à percepção deturpada de si mesmo e dos outros, são cometidas muitas gafes e falhas de etiqueta, como interrupção súbita da fala alheia e outras formas sutis de fazer os outros perceberem que são inferiores.
            Esta forma de manifestação é muito conhecida e encontra-se traduzida nas expressões populares: “Trazer o rei na barriga”, “Ser cheio de si”, “Posar de salto alto”, “Viver em torre da marfim”.
            O desequilíbrio emocional e comportamental do arrogante também levam a um desvio da sua forma de pensar. Sentir-se e agir como o centro do universo fazem o arrogante pensar sobre si mesmo e seu papel no mundo de forma equivocada, não condizente com a realidade. Por efeito da excessiva autoconfiança anticosmoética, ou seja, contrária à ética universal das consciências, evita ouvir e até mesmo ignora a crítica dos outros, afinal, não faria sentido alguém tão perfeito ter defeitos. Considerando os seus críticos como seres inferiores, pensa que não vale a pena incomodar-se com as opiniões deles a seu respeito. Esta lógica leva a uma falta de autoconhecimento, deixando o arrogante aberto a cometer muitas falhas evolutivas. Por isso, não raro, decisões erradas são tomadas e, mesmo tendo sucesso profissional e pessoal por determinado tempo, o arrogante facilmente encontra o fracasso e o digere muito mal, pois não vê lógica no que está acontecendo.
            Se estudarmos o complexo da manifestação da personalidade arrogante, veremos que se trata de um problema da ordem da convivialidade. Os arrogantes não conseguem conviver bem com os outros. Exemplo disso é o fato de que, quando estão em situação de liderança, eles em geral centralizam as decisões, podendo chegar ao domínio do grupo e até à tirania. Por outro lado, quando em situação de liderados, não somam com os outros e sua atuação prima pela competitividade. O arrogante tem dificuldade de ajudar os outros e de ser ajudado quando tem necessidade pelo fato de pensar-se autossuficiente.
            Uma das causas mais frequentes da arrogância é a condição de insegurança da consciência, gerada, normalmente, no período intrafísico da preparação evolutiva. No período em que a consciência está formando a sua i­den­tidade, podem ocorrer problemas, traumas, falta de aceitação pelos outros, acarretando o sentimento de insegurança e a necessidade de forjar uma identidade estruturada mais nas exigências externas do que nas próprias necessidades e prioridades. Na maioria das vezes esta identidade insegura se apoia fortemente em poucas qualidades da consciência, deixando as outras em estado de latência. Ao fazer isso, o indivíduo exagera inconscientemente nessas qualidades específicas. Dentro do escopo destas qualidades, ela passa a se considerar sem falhas, perfeita, inquestionável, não admitindo mais nenhum tipo de crítica e acreditando-se superior às demais. Em outras palavras, tornando-se arrogante.
            A educação falha também pode ser uma causa da arrogância. Crianças que não têm obstáculos para a sua vontade durante a infância, que não recebem uma noção adequada de que a vida é uma oportunidade de aprendizagem, de aperfeiçoamento e de trabalho para evoluir e para ajudar os outros, em geral têm dificuldades de pensenizar de forma favorável ao desenvolvimento da convivalidade sadia. Por ausência ou negligência do trabalho esclarecedor dos adultos, a criança pode acreditar-se superior aos outros desde pequena, tornando-se arrogante por ignorância.
            A arrogância pode ainda ter uma origem cármica. Consciências que trazem o traço da arrogância de outras vidas têm a tendência para desenvolver esse traço na vida atual, independente da família, do grupo ou da sociedade na qual elas ressomem. Neste caso, é preciso estudar mais a fundo a trajetória de vidas passadas, conhecer as interprisões, os erros do passado que estão sendo repetidos para passar a viver de forma mais sadia.
            A arrogância resulta para o indivíduo em dificuldade de interação e de trabalho em equipe, gerando falta de convivialidade, autorita­rismo e autoi­sola-mento. Para o grupo, a arrogância gera sentimento de inferioridade e in­se­gu­ran­­ça, aumentando a possibilidade do fracasso dos empreendimentos.
            Para prevenir a arrogância é importante cultivar qualidades opostas, como a assistencialidade, a autocoerência e o autoconhecimento. Já co­mo profilaxia ou terapêutica, existem técnicas especializadas na Conscienciologia, como por exemplo a autopesquisa, as técnicas de autocontrole e in­te­rassistên­cia, a reciclagem consciencial, a técnica de observar consciências mais evoluídas para perceber as próprias limitações, as técnicas conscienciométricas e a tenepes.
            Concluindo, é preciso trabalhar a consciência para evitar e diminuir a arrogância porque ela produz sentimento de inferioridade nas outras pessoas, causando amargura nas relações interpessoais, permitindo a permanência das interprisões e, consequentemente, possibilitando estagnação evolutiva no meio consciencial onde ela se instala.

Lília Junqueira, voluntária do INTERCAMPI em João Pessoa 

Fonte: Site da Intercampi, postada em 03/setembro de 2012.
http://intercampi.org/2012/09/03/para-nao-ser-arrogante/

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