sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Autoconhecimento e pacificação íntima


Alvarez Dantas
            A crescente crise do atual paradigma – que privilegia o TER em detrimento do SER – tem levado cada vez mais pessoas a refletir sobre questões cruciais em relação à sua própria existência, por exemplo: quem sou eu?; qual o meu papel neste mundo?; do que eu gosto?; quais são meus talentos e meus limites?; entre outras.
            Tais questões têm surgido mais vigorosamente, na atualidade, em parte devido ao maior interesse e valorização de diversos segmentos da sociedade (em especial do mercado de trabalho) pelo autoconhecimento e pelo entendimento da forma como cada indivíduo se relaciona consigo mesmo, com os outros e com o mundo; e também, em parte, em função do distanciamento do contato da pessoa com ela mesma, e da sensação de vazio existencial decorrente desta alienação de si própria.
            O interesse do ser humano em se conhecer melhor não é novo. Sócrates, filósofo grego, há mais de 2000 anos já abordava a importância do autoconhecimento, possivelmente inspirado pela seguinte inscrição, constante no Oráculo de Delfos: “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”.
            Conhecer-se melhor possibilita diversos ganhos à pessoa, por exemplo, estes: a descoberta de diversos talentos, limites, tendências e hábitos desconhecidos; a compreensão dos porquês de algumas facilidades e dificuldades pessoais em determinadas situações do dia-a-dia; o desenvolvimento de autodiagnósticos e de planejamentos de vida baseados em informações realistas sobre si mesma; a melhoria das relações com os demais; entre outros. O somatório destes ganhos, por sua vez, propicia à pessoa outro benefício: um maior estado de pacificação íntima.
            A pacificação íntima é o estado de consciência no qual a pessoa alcança um maior nível de equilíbrio físico, energético, emocional e mental, sofrendo menores oscilações devido à diminuição dos autoconflitos e dos atritos com os demais.
            Porém, a autopacificação não significa ausência de conflitos: eles continuam a existir, mas a pessoa passa a ter uma melhor atitude e a gerir mais eficazmente suas contendas íntimas e os choques com os pensamentos, sentimentos e energias dos demais, minimizando suas consequências negativas e transformando-os em oportunidades evolutivas.
            Para o alcance de níveis mais consistentes de pacificação íntima, é necessário que a consciência pesquise a si mesma em profundidade, levando em consideração seus vários veículos de manifestação (holossoma), suas múltiplas vidas (multiexistencialidade), as diversas dimensões conscienciais (multidimensionalidade) e existência das bioenergias, aspectos que, mesmo sem a pessoa ter a noção da existência dos mesmos, influenciam sobremaneira na sua forma de pensar, sentir e agir.
            É a partir da autopesquisa contínua e aprofundada que a consciência amplia a compreensão em relação a si própria, desvelando seus talentos, suas imaturidades, o que precisa ser priorizado na vida atual e as bases das suas relações com as demais consciências, entre outros fatores, e consegue respostas para diversas de suas questões existenciais, alcançando maior pacificação íntima.
Alvarez Dantas é psicólogo, e voluntário da Conscienciologia.

Fonte: Site da Intercampi postado em 04/fevereiro de 2010.
http://intercampi.org/2010/02/04/artigo-autoconhecimento-e-pacificacao-intima/

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